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Medição de forças entre dois gigantes: receita e despesa!

Por João Venâncio - jul 20


Sabemos que os novos desafios operacionais para atender o protocolo da Anvisa, necessário frente à Covid-19, gerará modificações na estrutura de custos dos hotéis.


Se por um lado, as previsões mais otimistas apontam que a retomada da economia, e consequentemente os índices de ocupação favoráveis para rentabilizar os hotéis, virão a passos lentos, por outro lado há uma grande possibilidade do embate “receitas x despesas” ter todos os meses as despesas como vencedora, resultado que não interessa para ninguém.


Então, o que fazer? Como equilibrar as contas, como pacificar esta antiga guerra de forças entre receitas e despesas? Nesta disputa dificilmente haverá um empate técnico (ponto de equilíbrio) e, mesmo que ocorra, esta situação obviamente não atenderá às expectativas do investidor, uma vez que a propriedade deveria ter uma performance condizente para remunerar o capital investido. Se a despesa sobrepuser a receita, não haverá resultado positivo para transformar-se em caixa, assim sendo, neste embate, a empresa sai empobrecida.


Porém se houver uma vitória vigorosa e expressiva da receita, ou seja, se ela for muito superior às despesas, o excedente vai direto para o caixa, logo, poderá ser utilizado para recompor o capital de giro, para irrigar as reservas de contingências (por exemplo, fundo de reposição de ativos) e voltar à sua vocação em forma de aluguel ou dividendos ao investidor.


Neste enredo, qual é o nosso papel enquanto gestores? Diretor ou coadjuvante? Assistiremos passivamente ao filme e no final teceremos brilhantes comentários, independente do desfecho?


Adotaremos uma postura observadora na qual somente interpretaremos os fatos (resultados), exaltando a nossa atuação impecável, isso se as receitas vencerem o pleito (superar as despesas), ou pior, enumerando dezenas de argumentos para justificar o motivo das despesas terem superado as receitas? Ou queremos ser os protagonistas?


Seremos proativos, determinados e destemidos para direcionar o desfecho deste embate? Sem dúvida! vamos fortalecer a receita através de argumentos vigorosos e virtuosos, tais como uma prestação de serviço irretocável, que permitirá a criação de valor, aumento da reputação nas mídias sociais e canais de busca e retenção do cliente, possibilitando assim obter maior ocupação e elevar o preço médio dos serviços e produtos.


E com o mesmo entusiasmo vamos frear o crescimento das despesas, sendo criteriosos na estruturação dos gastos, através da revisão de todas as linhas de custos e despesas, redesenhando e otimizando os processos.

Buscando novas alternativas, faço duas perguntas para você refletir:

- Quais as atividades que fazem sentido serem terceirizadas, pois desta forma haverá um custo variável (em função da receita), aliviando a estrutura de custos e despesas fixas.

- Qual atividade poderá ser internalizada, visando aumento de qualidade e redução de custo?

O critério, fruto das respostas às perguntas acima, deve sempre ser pela melhor relação custo versus benefício.

Conduzir esta história para um final feliz deverá ser o compromisso de todos os gestores.


Certamente você já ouviu falar, porém, é sempre bom refletir a respeito:

- Se houver um incremento de R$1.000 na receita do seu hotel, quanto deste valor será lucro?

Resposta: Depende, pode ser $700, 550, 200, 150, ou não sobrar nada, pois o que determina o lucro é a variável custos, ou seja, quanto custou o esforço que foi realizado para obter esta receita.

- E se houver uma ação de controle dos gastos, por exemplo, negociação dos contratos, revisão dos processos, encontrar um novo fornecedor com melhor preço, etc. e, estas atividades gerarem uma economia de R$1.000, quanto deste valor será lucro?

Resposta: R$1.000,00.


Assim sendo, toda economia é bem-vinda, então recomendo que você não descanse enquanto não revisar:


O custo do apartamento fechado


Relacione todas as despesas diretas e fixas, aquelas que o hotel deverá desembolsá-las independente se o apartamento foi alugado ou não, por exemplo, tv a cabo. Neste caso, cabe a seguinte reflexão: Por quê ter um contrato de 200 pontos (número de apartamentos), sendo que, por exemplo, a taxa de ocupação média prevista para o próximo ano é de 30% (60 apartamentos/dia). É possível fazer um contrato com valor em função da ocupação?


Os custos variáveis do apartamento:

Relacione todos os custos variáveis e analise se há oportunidade de:

a) Obter os mesmos produtos com um valor menor;

b) Substituir produtos e serviços com melhor relação custo e benefício;


Obviamente que todas estas ações devem refletir não somente em economia, mas principalmente em qualidade dos serviços prestados.

- Os custos dos bufês e fichas técnicas e pratos.

- O custo do café da manhã;

- Os gastos com as tarifas públicas;

- Os gastos com horas extras;

- O desembolso com Impressão de documentos;

- A despesa mensal com tarifas bancárias;

- O valor das apólices de seguros;

- O consumo de material de escritório;

- As taxas com cartão de crédito;

- Etc...


Lembre-se que, cada valor economizado se traduz em resultado.

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